quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A manifestação saiu à rua

Foto:AFP Photo / Patricia De Melo Moreira                                      
A manifestação saiu à rua no passado sábado. No entanto, será que o objectivo  pretendido foi alcançado?
Quando falamos deste tipo de iniciativas, sabemos de antemão que para se conseguir atingir o alvo, é necessário à partida um aglomerado bastante considerável. Sobretudo, quando os media são os primeiros a dar conta disso. Quanto maior for o “aparato”, maior será a atenção disponibilizada pelos mesmos.
Portanto, o factor quantitativo continua a assumir um papel preponderante, quando se pretende passar uma mensagem, que depende de alguma forma da cobertura mediática.
O acontecimento é único, embora as interpretações que podem ser extrapoladas sejam inúmeras.
Ao Jornal i, Ricardo Morte declarou: «As perspectivas para este protesto são as melhores, temos grandes ambições e contamos com muita gente na rua».
O manifesto elaborado pelo Movimento contou com a subscrição de mais de 1000 pessoas, das quais se destacam figuras mediáticas do mundo da música e das artes.
Relativamente à falsa manifestação de apoio à Troika, não pareceu ser um factor determinante na adesão à manifestação, segundo Ricardo Morte (membro do Movimento) e Cristina Nunes (investigadora do ISCTE). [1]
A manifestação estava prevista em todas as capitais de distrito do país. De acordo com o Jornal de Notícias, em Castelo Branco a manifestação acabou por ser desconvocada devido à falta de adesão. Um dos principais responsáveis pela organização  da acção nesta cidade, demonstrou a sua indignação perante a atitude da população. Perante isto, Manuel Costa Alves  encontra a justificação para o sucedido, referindo: «antes do 25 de Abril dava-se o peito às balas. Havia a PIDE, mas os que acreditavam, lutavam pelos seus ideais. Mas hoje, em democracia, impera o medo, sobretudo o medo de represálias que levam à perda do emprego». Ainda assim, denota-se que há uma controvérsia entre aquilo que as pessoas pensam e o que na prática fazem. Nos dia-dia criticam constantemente as medidas praticadas por este governo, assim como, o mal-estar que se sente e que se assiste, no entanto, quando tem a oportunidade de expressar a sua indignação em actos, limitam-se ao silêncio ensurdecedor.
No dia a seguir ao protesto, Castelo Branco acordou com algumas faixas negras que incorporavam a palavra “Basta”. Para Manuel Alves já é um sinal do descontentamento que se vive, não deixando de ser muito pouco significante. [2]
A seguir a Lisboa, as expectativas recaem sob a cidade Invicta.
No Porto, o foco recaiu sobre a desobediência dos manifestantes em relação às ordens da polícia. Segundo a mesma fonte, a organização contou com a presença de mais de 2000 pessoas, número este corroborado pela polícia (1000 manifestantes). Ora parece-me que não é só os media, que demonstram ter problemas com os números. A PSP do Porto assegura que os 1000 manifestantes contabilizados não incluem a população que se junta a ocasião apenas com o intuito de observar. Tratam-se única e exclusivamente de manifestantes. Enquanto, um membro da organização aponta para um número que ultrapassa largamente os mil.
Quem será que acertou no resultado da equação?
A notícia diz ainda que, a redução do número de participantes face aos anteriores protestos organizado pelo mesmo Movimento, foi logo notória, mesmo antes de se iniciar o desfile. Embora tenha sido alterado o trajecto do desfile, não se registaram incidentes. [3]
O secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, justificou a sua presença na manifestação, com a necessidade crucial da união das forças e vontades. [4]
No momento pós-manifestação, em que é chegada a altura de fazer o balanço, várias vozes apontam para a fragilização do Movimento.
Numa página de um blog, pode ler-se acerca deste assunto: «O movimento está fragilizado, é verdade. Mas essa fragilidade está longe de ser porque o partido A ou B não pode fazer um comício disfarçado de assembleia popular ou porque no final da manifestação não houve uma hora de chuva de calhaus sobre a escadaria de São Bento. Se estamos vergados é porque não está aberto o caminho de quem quer novos caminhos e porque um senhor chamado Arménio Carlos, líder da CGTP, decidiu recuar de uma acção para a qual chamou toda a centralidade no dia e na hora da apresentação do Orçamento de Estado.» [5]
E se os ditados populares ainda tem algum fundamento de verdade, eu diria “O tempo o dirá”.

 
 Margarida Mendes
30 de Outubro de 2013

 
Fontes:
[1] Jornal i, Movimento está a contar com "muita gente na rua", artigo publicado na página do Jornal i a 26 de Outubro de 2013. Disponível em: http://www.ionline.pt/artigos/portugal/movimento-esta-contar-muita-gente-na-rua [consultado a 30 de Outubro de 2013 às 10h47]

[2] Jornal de Notícias, Protesto contra a "troika" em Castelo Branco desconvocado por falta de adesão, artigo publicado na página do Jornal de Notícias a 26 de Outubro de 2013. Disponível  em: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=3499082&page=-1    [Consultado a 30 de Outubro de 2013 às 19h14]

[3] Jornal de Notícias, Manifestantes do Porto contrariam ordem da polícia no trajeto do desfile, artigo publicado na página do Jornal de Notícias a 26 de Outubro de 2013. Disponível em: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=3499170&page=-1 [consultado a 30 de Outubro de 2013 às 19h21]

[4] Jornal de Notícias, Arménio Carlos diz que é tempo de "juntar forças e vontades" contra atuais políticas, artigo publicado a 26 de Outubro de 2013. Disponível em: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=3499139&page=-1 [consultado a 30 de Outubro de 2013 às 21h42]

[5] 5 Dias.Net, Não era possível ganhar a 26 o que se perdeu a 19, artigo publicado na página do blog 5 Dias.Net a 28 de Outubro de 2013. Disponível em: http://5dias.wordpress.com/2013/10/28/nao-era-possivel-ganhar-a-26-o-que-se-perdeu-a-19/ [Consultado a 30 de Outubro de 2013 às 21h50]

 

 

 

 

 

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