quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O Poder Financeiro


          Depois de passadas as eleições autárquicas, bem como tudo aquilo que a elas lhes está adjacente, chegou a altura de se demonstrar a enorme preocupação para com os resultados da oitava e nona avaliações da troika. É neste seguimento que Pedro Passos Coelho, embora defenda a manutenção do rumo e mantenha a sua postura optimista, afirma só saber se conseguirá cumprir, ou não, com o programa de financiamento no final do ano corrente, alertando para os chumbos constitucionais que acabam por tremer com as decisões que vão sendo tomadas, na medida em que conduzirão a uma reestruturação da dívida, ou seja, o poder político será cada vez mais centralizado nas instituições europeias em prejuízo das instituições nacionais. 

            O resultado da oitava e nona avaliações da troika acabou por ser positivo o que significa que Portugal irá receber uma nova tranche, o que não determina que a austeridade tenha chegado ao seu limite, muito pelo contrário.  Embora se viva neste clima de completo desequilíbrio financeiro, os membros do Governo deixam completamente de lado a ideia de que se necessitará de um novo resgate financeiro. Assim, e de modo a levar o seu plano a bom porto, Maria Luís Albuquerque acaba por afirmar que as medidas que são extraordinárias vão continuar. Certo é que o limite acordado para o défice do próximo ano é de 4%. Embora o Governo saia  derrotado, pela tentativa de Paulo Portas de conseguir uma meta de 4.5%, a realidade é que foi mantida a postura optimista de que o reconhecimento pelo esforço dos portugueses já esteve mais longe de ser conseguido, embora este só seja concretizado quando as finanças públicas portugueses forem sustentáveis. O final não será, então, o fim do resgate financeiro visto que continuaremos a ter credores enquanto 2/3 da dívida pública não estiverem liquidados. Tal com defende Fernando Ulrich, é essencial pagar o que se deve para que se consiga conquistar a confiança dos credores.  Com os resultados positivos desta avaliação, também os juros da dívida pública acabaram por sofrer alterações com descidas que os transportam para os valores mais baixos nas últimas sete semanas. Crucial é referir que segundo as previsões financeiras, a recessão e o desemprego sofrerão um abrandamento e a economia crescerá em 2014. Também o Banco Central prevê que a recessão fique nos 1.6%, contrariamente à previsão do Governo e da troika que preveem que a recessão fique nos 1.8%. Embora se tenha esta postura de falso optimismo a realidade é que 2014 será um ano de maiores atrocidades do que 2013.

            Relativamente ao principal dilema do Governo, isto é, os elevados valores da dívida pública, Cavaco Silva, em oposição a comportamentos anteriores, afirma que não consegue compreender aqueles que acham que esta tem um caracter insustentável. Também defensor desta perspectiva é Pedro Passos Coelho que se demonstra optimista quanto ao cumprimento dos limites acordados.

            Paulo Portas veio afirmando, ao longo da semana que se passou, que foi evitado um aumento na generalidade dos impostos. Assim, segundo o Vice-Primeiro-Ministro, os maiores esforços recairão sobre o Estado e sobre aqueles que têm mais.  O principal objectivo é que não se desequilibre, ainda mais, as famílias. Certo é que o Governo anunciou um aumento na taxa sobre a produção de eletricidade, um corte nas pensões, uma revisão salarial e um regime excepcional de regularização de dívidas ao fisco e à Segurança Social. Quanto ao aumento na taxa sobre a produção de eletricidade , o principal fim  não passa por promover desvantagens ao consumidor. No entanto, as redes de produção elétrica afirmam que se tornará completamente impossível que este aumento nos impostos não afecte os consumidores. Relativamente aos anunciados cortes nas pensões, estes são vistos pelo Governo como uma forma de conseguir sustentabilizar o sistema de pensões. A revisão das tabelas salariais da função pública também será uma das novidades do novo Orçamento de Estado cuja proposta será entregue dia 15 de Outubro. Por fim, ainda dentro da tentativa de aumento das receitas fiscais, o Governo aprovou o regime excepcional de regularização de dívidas ao fisco e à Segurança Social que, por sua vez, acaba por favorecer aqueles que o irão cumprir. Este plano não prevê acordos com o fisco ou com a Segurança Social para pagamentos a prestações. Deste modo, quer as empresas quer os particulares que já possuam um plano de cumprimento devem optar pela opção que a eles lhe for mais favorável. Neste contexto, o executivo aposta num bom efeito económico visto que as empresas que regularizarem as suas situações até ao final do ano deixam de estar interditas à candidatura aos fundos comunitários. Essencial é referir que o Governo vai aumentar as penalizações para os incumpridores logo com o início do novo ano. 

            Tendo em conta as medidas defendidas pelo Governo é essencial lembrar a postura da troika. Postura esta que aponta para a ideia de que a existência de novos chumbos no Tribunal Constitucional podem condicionar o tão ansiado regresso de Portugal aos mercados. Assim, Durão Barroso menciona que Portugal conseguirá voltar aos mercados se não cometer erros e afirma, ainda, que não existem alternativas possíveis às reformas apresentadas. Dentro do seu amago de preocupações não deixou de estar presente a velha questão da credibilidade que Portugal tem de passar para o exterior.

            O Conselho Económico  e Social (CES) veio alertar para uma importante questão que parece andar esquecida no domínio financeiro, isto é, para o cumprimento das linhas orientadoras das Grandes Opções do Plano (GOPs). Neste sentido, foi aprovado um parecer sobre as Grandes Opções do Plano (GOPs) onde as principais preocupações vão para os riscos de ruptura social e para os enorme necessidade de travar os valores da taxa de desemprego.

            Por fim, depois de todo o alvoroço em redor da fusão da PT com a OI, essencial é referir a intenção de privatizar os CTT. O Governo está convencido que a empresa está preparada para a venda e quer fechar o negócio até ao final do corrente mês. Esta intenção acaba por ser uma imposição da troika para que se consiga diminuir a dívida pública portuguesa. Esta privatização acabará por ter um efeito energético na bolsa de valores, só resta saber quais os efeitos que terá nos restantes sectores.

 

 

Fontes:

Programas televisivos:

Noticiários (RTP, SIC NOTICIAS E TVI24); 25º hora (Resumo diário) – TVI 24.

Alguns links a consultar:

PEIXOTO, Margarida, Banco de Portugal mais optimista que o Governo, Jornal Económico, publicado a 8/10/2013,  in  http://economico.sapo.pt/noticias/banco-de-portugal-mais-optimista-que-o-governo_178899.html, consultado a 8/10/2013.

Pensões de sobrevivência com cortes a partir de Janeiro, Jornal Público, publicado a 6/10/2013, in http://www.publico.pt/economia/noticia/pensoes-de-sobrevivencia-com-cortes-a-partir-de-janeiro-1608243, consultado a 7/10/2013.

REVEZ, Idálio, Barroso diz que está o “caldo entornado”, se Portugal não der continuidade às medidas de austeridade, Jornal Público, publicado a 5/10/2013, in http://www.publico.pt/politica/noticia/barroso-diz-que-esta-o-caldo-entornado-se-portugal-nao-der-continuidade-as-medidas-de-austeridade-1608181, consultado a 5/10/2013.

RODRIGUES, Sofia, “Temos praticamente todas as condições” para fechar programa, diz Passos, Jornal Público, publicado a 4/10/2013, in http://www.publico.pt/politica/noticia/temos-praticamente-todas-as-condicoes-para-fechar-programa-diz-passos-1608052, consultado a 5/10/2013.

LUISA, Sérgio Monteiro disse que a PT Portugal e suas subsidiárias continuarão com sede e direcção em Portugal, a pagar impostos e a gerar riqueza no país., Jornal Público, publicado a 2/10/2013, in http://www.publico.pt/economia/noticia/governo-nao-tem-como-aferir-se-havera-perda-de-receitas-fiscais-1607863, consultado a 3/10/2013.



 
                                                                                                                                                   Patrícia Paulino



 

 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Abstenho-me, com certeza!

Após um período conturbado de campanha política, bem como o dia das eleições para as autarquias locais, o dia mais esperado chega finalmente. A análise dos dados destas eleições, tal como as ilações e reflexões a retirar de toda esta importante via para a democracia, o voto.


Há algum tempo para cá que o povo tem vindo a demonstrar o seu descontentamento para com a Política em geral. Isto porque, desde 2007 confrontamos-nos numa profunda crise financeira à qual nos obrigou a requerer uma ajuda monetária internacional para equilibrar o nosso défice. Ou seja, gastamos mais do que produzimos, onde a nossa balança comercial sofre um desequilíbrio acentuado e, cada vez mais caminhamos para o abismo. Porém, existem factores que indicam melhorias da nossa economia, a luz ao fundo do túnel vai surgindo, isto é a credibilidade perante os mercados.

Aprofundando mais a questão da abstenção, não será de todo incoerente registar que nestas eleições bateram-se vários recordes. Entre eles dois importantes, um maior número de candidaturas independentes e uma grande expressão abstencionista. A abstenção, os votos em branco e os nulos, juntamente com estas candidaturas independentes somaram mais de 51% de todo o universo eleitoral. Quer isto dizer, que o descontentamento da comunidade política é uma realidade inquestionável, bem como o “cartão vermelho” apresentado pelos portugueses à actual partidocracia. O povo não concorda com estas medidas impostas pelo Estado Português e, desta forma expressa a sua soberania e assinala a sua ilegitimidade. Portanto, é de salientar e tomar nota de que o resultado somado dos Partidos Políticos não representam sequer metade dos portugueses.


Na opinião de Paulo Morais através da rádio renascença, o factor da emigração nos últimos anos foi o que mais contribuiu para a subida da abstenção nas eleições autárquicas. Cerca de 120 mil emigrantes portugueses só no último ano. Pois, estes números assombrosos justificam como a vida em Portugal está difícil. A razão principal será mesmo o leque de oportunidades que o estrangeiro consegue oferecer aos portugueses no âmbito da realização pessoal, bem como na garantia de melhores empregos. Outro factor será estarem recenseados, mas não vêm cá votar pela lógica das impossibilidades.


Por incrível que pareça, apesar de ter vindo a melhorar, ainda existem os chamados “eleitores-fantasma”, ou seja, pessoas já falecidas, emigrantes, alterações de morada, entre outros factores que condicionam o processo eleitoral.


É notório, que há um desinteresse generalizado pela política e um divórcio entre os cidadãos e a política, pois os portugueses não confiam nos políticos. O povo contesta com a sua soberania ao abster-se, está saturado de ser penalizado nos seus salários, continuarem a restringir uma geração trabalhadora e a abafar uma geração jovem que quer trabalhar.

Em dados oficiais, 47,4 % dos 9.492.396 eleitores inscritos optaram por não exercer o direito de voto nas autárquicas de Setembro, onde só se dirigiram à urna de voto 4.992.490 eleitores. Dentro destes dados, Sesimbra destaca-se o concelho com mais abstenção, cerca de 62,2%, de seguida em Palmela com 61,44% e por fim em Cascais 62,01%.

Para concluir,  estes dados são preocupantes porque as pessoas sentem-se massacradas com a política, estão profundamente cansadas e desligam-se. Contudo, não se pode esquecer que o voto foi conquistado, é democracia, é participação e confere a representatividade. Considerando que, só assim se consegue alterar o rumo das coisas. Tudo isto é fruto da grave crise financeira do Estado, os cortes são ordem do dia, os despedimentos e os salários precários começam a tornar-se num hábito e não numa solução para milhares de famílias afectadas e sufocadas com estas medidas que são de certa forma, socialmente irresponsáveis.

André Henrique Rodrigues

211109


Links Úteis:
-http://euacuso.blogs.sapo.pt/2013/09/
-http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=34&did=123816
-http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=3451001
-http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=3456013



Retrato da abstenção nos Açores

                  29 de Setembro foi um dia agitado para todo o país ao que muitos dizem, mas tomando partido do resultado da abstenção, 47,4%, este domingo foi apenas impetuoso para cerca de metade dos eleitores portugueses. Não esquecendo as regiões autónomas, os valores de abstenção na Região Autónoma dos Açores corresponderam a uma percentagem de 45,99%, número que ultrapassa a média de abstinência de todo o país.
Analisando os resultados das autárquicas nas nove ilhas dos Açores, o partido que pode ser considerado como o grande vencedor destas eleições tinha o slogan “Um novo ciclo para vencer novos desafios”, Partido Socialista. Foram 46,62% dos votos correspondentes 62 eleitos. O PSD, por sua vez, obteve 31,22% dos votos, segundo a segunda maior força política na região. Este ano verificou-se uma maior diferença nos resultados das eleições entre estes dois partidos, em 2009 separavam-se apenas por cerca de 3% dos votos. (
                  Referente a outros partidos, o CDS-PP obteve um decréscimo na percentagem de votos comparando com as eleições de há 4 anos atrás (2,62% em 2013 e 4,17% em 2009); o CDU manteve praticamente a mesma percentagem de votos com 1,71% em 2009 e 1,72% em 2013; por fim o Bloco de Esquerda evolui na percentagem de votos, de 1,30% em 2009 para 1,69% em 2013. Ao contrário das autárquicas de há quatro anos, em 2013 houve um maior número de coligações que apresentaram uma percentagem entre 1,98% a 6,39%, nomeadamente o PSD.CDS-PP (6,39%), PSD.CDS-PP.PPM (2,23%) e PSD.PPM (1,98%).
No entanto, é curioso observar que há um maior número de candidatos eleitos mesmo que a percentagem dos votos seja mais curta, por exemplo: no caso do PS que apresentou uma percentagem de 46,62% e 62 eleitos, em 2013, obteve uma percentagem ligeiramente maior em 2009, 46,93% mas com menor número de eleitos, cerca de 58. Igualmente no caso do CDS-PP que apresentou um decréscimo de quase metade da percentagem de votos de 2009 a 2013, porém tenha triplicado o número de candidatos eleitos, tendo apenas um nas autárquicas de 2009 e agora três candidatos, em 2013. Para explicar este fenómeno temos que ter em conta os valores dos restantes candidatos partidários que se tem vindo a alterar nas duas últimas eleições e nos valores exagerados da abstenção nestas autárquicas de 2013. A má influência que a abstenção causa nos resultados das eleições, nomeadamente no efeito do número de candidatos eleitos só tem vindo a beneficiar as maiores potências partidárias como são os casos do PS e PSD, como já fora referido anteriormente.
No Domingo, dia 29 de Setembro de 2013, os valores de abstenção na Região Autónoma dos Açores foram de 45,99%, valores superiores às últimas que corresponderam a uma percentagem de 43,34%.
                  O candidato vencedor do Governo dos Açores, Vasco Alves Cordeiro, associado ao Partido Socialista, não deixa de referir que os números da abstenção provocam um sentimento de preocupação para qualquer interessado na política. Embora compreenda a dificuldade de praticar o direito ao voto dos jovens estudantes e residentes fora da sua localidade natural, devido aos processos complexos e mesmo na falta de informação de como votar fora do local onde se encontra recenseado, o Presidente do Governo não perdoa a mentalidade popular de “serem todos iguais” influenciada pelas más decisões do governo, no qual salienta que a ausência às urnas funcionou como forma de castigo à política governativa. O candidato socialista ainda lamenta a falta de instrução e apela à captação das pessoas, principalmente os jovens, pelo interesse na vida política.
                  Examinando redondamente os resultados obtidos nas autárquicas de 2013, ora, não se pode propriamente justificar o resultado destas eleições com a situação actual do nosso Governo. Como foi debatido na última aula, coube ao bom funcionamento das campanhas dos partidos nos concelhos respectivos para o resultado nas eleições. Apesar de o Partido Social Democrata ter apresentado um péssimo resultado nestas autárquicas não podemos esquecer que ainda conseguiram ganhar algumas câmaras que não possuíam em 2009 aos partidos rivais, não esquecendo ainda as que conseguiram manter. Também a mentalidade de castigo ao PSD e dar valor ao PS não justifica as grandes vitórias por parte da CDU que recuperou um número variado de municípios no sul do Tejo; e do CDS-PP que conseguiu quintuplicar o número de câmaras que tinha em 2009, nomeadamente a primeira câmara que conseguiu nos Açores, em Velas S. Jorge, que retirou do PSD.
Deixando de parte a preocupação de quem venceu ou perdeu as autárquicas, há que ter o consenso de que metade do país foi quem perdeu as autárquicas escapando ao direito ao voto. É caso paradigmático, o do arquipélago dos Açores visto que não se deram enormes mudanças nas vitórias dos partidos, mas o valor obtido na percentagem de abstenção não deixa de ser preocupante, ultrapassando a média nacional. O desinteresse na política manifesta-se cada vez mais por razões menos óbvias. Não escapa a ninguém a ideia da situação precária do país e de que deve haver mudança, e que todas as vozes devem ser ouvidas. O direito à greve, à manifestação e ao voto servem para esse efeito e a decisão de fugir às urnas não deveria ser considerado um acto de contestação nomeadamente para as acções do actual governo, pois como já foi explicado, a abstinência só vem a prejudicar qualquer resultado para qualquer uma das vertentes partidárias. Não haverá melhor maneira de saber enviar a mensagem de aviso aos responsáveis do Governo?



Rui Câmara
212303


Fontes:
·       http://expresso.sapo.pt/eleicoes-autarquicas-2013=f832687#400000 consultado a dia 8 de Outubro de 2013
·       http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/pgra/Biografia.htm consultado a 8 de Outubro de 2013
·       http://autarquicas2013.azores.gov.pt/#&panel1-1 consultado a dia 8 de Outubro de 2013
·       http://www.psacores.org/ consultado a dia 8 de Outubro de 2013

·       http://www.eleicoesautarquicas.pt/category/concelhos/r-a-acores/ consultado a dia 8 de Outubro de 2013

O Ressurgimento da Extrema Esquerda

Falar de esquerda ou de direita é sempre algo complexo e paradigmático, pois o espectro político varia inevitavelmente da pessoa que o está a analisar, contudo, no que toca ás posições extremistas a opinião pública tem geralmente a mesma ideia.
Em épocas de crise, como esta que temos vindo a passar, existe a tendência por parte dos cidadãos em acreditar nestas politicas mais radicais, dando assim grande apoio a partidos extremistas, tanto de esquerda como de direita.
A Europa tem assistido a uma escalda dos partidos “radicais”, o caso grego é provavelmente o melhor exemplo, visto que a Grécia foi “vítima” de dois resgates financeiros. Neste sentido o partido de esquerda radical Syriza tem vindo a pressionar o governo de Atenas em relação ao constante  crescimento da Aurora Dourada, que no passado mês de Setembro um dos seus integrantes atacou violentamente um conhecido rapper grego.
“O governo tem responsabilidades políticas nesta situação, e não apenas os juízes. Nikos Dendias, ministro da Ordem Pública e da Defesa Civil, e o resto do governo não fizeram o que deviam que era enviarem ao procurador-geral todos os documentos que tinham compilado sobre as actividades do Aurora Dourada. O ministro Nikos Dendias tinha na sua posse documentos sobre 32 casos. Porque é que foi preciso esperar pelo 33º caso, que foi o assassinato de Pavlos Fyssas?”[1]
Esta coligação da esquerda radical surgiu formalmente em 2004 antes das eleições gregas, e desde essa época que a coligação tem crescido de forma vertiginosa, sendo neste momento o segundo maior partido grego. Este crescente apoio a este partido serve como forma de manifestação e descontentamento com as politicas que tem sido tomadas sobre alçada da “Troika”.
Perante as crises o povo tende sempre a eleger tiranos, acreditando nas posições extremistas, não será de todo improvável assistirmos a um crescimento mais acentuado da extrema esquerda na Europa, devido a toda esta crise.  Existe um grave problema inerente a estas posições extremas, já constatamos confrontos entre a extrema esquerda e a extrema direita na Grécia, contudo estes movimentos crescem em toda a Europa, a 6 de Junho de 2013 um jovem francês de extrema esquerda foi espancado até à morte por elementos da extrema direita[2]. O extremismo está a “galopar” sobre a “democracia” europeia e dentro de alguns anos não será de todo irreal assistirmos á ascensão de um tirano.

Abstenção, uma resposta dos madeirenses ?

             47,48%, foi a percentagem de abstenção na Região Autónoma da Madeira. No Domingo, 29 de Setembro, quase metade dos eleitores abstiveram-se do seu direito de ir as urnas e decidir os seus representantes autárquicos.  Quase metade da população preferiu exercer um outro direito: o de não participar da forma mais convencional na decisão política.
             O líder madeirense, desde de 1978, Alberto João Jardim afirmou que “ficar em casa é entregar o ouro ao bandido”[1], após ter exercido o seu direito de voto na freguesia de Santa Luzia, no Funchal. Freguesia que perdeu as cores laranja, para a coligação de partidos PS, BE, PND, MPT, PTP, PAN e que teve uma abstenção de 49,9%, maior do que a média nacional que ficou em 47%.  Ponderando nas palavras do mítico representante da Madeira, muito ouro foi entregue ao bandido.
         Em conformidade com o que foi dito por Alberto João Jardim, os líderes políticos da região apelaram à ida as urnas. Apelo que não foi escutado.
A cabeça de lista à Câmara Municipal do Funchal pela CDU considerou que “a abstenção é o grande inimigo da democracia”, “porque essa abstenção pode significar que os resultados não traduzem a vontade popular”[2].
Analisando, o voto não é obrigatório, ou seja, um cidadão pode nunca votar durante a sua vida apenas por opção. Não ir votar não deve ser considerado como um acto anti-democrático, mas como uma opção, muitas vezes, de contestação contra os políticos ou contra as suas políticas. A abstenção pode ser considerada como expressão da vontade popular, a sua insatisfação e descrença. Poder ser analisado, também, como um desinteresse e uma falta de sensibilidade sobre a vida política do país.
O direito ao voto foi conquistado arduamente. Não ir votar é não exercer esse direito. Os jovens, muitas vezes, não se sentem interessados pelo mundo político, não sentem ligação com as ideias e com os partidos, que não respondem as suas necessidades, interesses e preocupações. Não lutaram por esse direito e não viveram em nenhum regime onde não existia liberdade de opinião, pelo menos teoricamente. A população da Região Autónoma da Madeira é, segundo os Censos realizados em 2011, uma população relativamente jovem.
A abstenção aumentou, desde das últimas eleições em 2009. Em 2009 cerca de 44,98% dos madeirenses não se dirigiram às urnas. Este ano houve um aumento de 2,5% na abstenção. Em 2004 a abstenção, por sua vez, era de 39,53%.
Sopram ventos de mudança numa Madeira que ganhou um tom mais rosa nestas eleições. O PS-Madeira, coligado com outros partidos, foi considerado o grande vencedor, chegando a ganhar a Câmara do Funchal, com 39,22%, numa abstenção de 49,54%.
A perda das várias Câmaras foi um duro golpe para a liderança de Alberto João Jardim. O PSD-Madeira marcou eleições internas ainda para o final deste ano. 

Andreia Oliveira
212301





Fontes:
·        http://www.psmadeira.pt/parlamento/237-js01102013, consultado dia 8 de Outubro de 2013
·        http://expresso.sapo.pt/eleicoes-autarquicas-2013=f832687#300000 consultado dia 8 de Outubro de 2013
·        http://p3.publico.pt/node/9511 consultado dia 8 de Outubro de 2013
·        http://www.portaldoeleitor.pt/Paginas/HistoricodeResultados.aspx consultado dia 8 de Outubro de 2013
·        http://eleicoes.cne.pt/raster/index.cfm?dia=17&mes=10&ano=2004&eleicao=alrm consultado dia 8 de Outubro de 2013